O Metaverso chegou até a moda ou a moda chegou ao Metaverso?
- Vinícius Vieira

- 17 de mai. de 2022
- 3 min de leitura
Uma indústria sempre em busca de inovação encontrou - talvez - uma forma de se reinventar por completo

No mundo da tecnologia, o Metaverso é o principal assunto e, ao que tudo indica, também será o tema em voga no universo da moda. Se a Internet por si só já propôs um novo jeito de pensarmos, agirmos e consumirmos, agora, com a possibilidade de imersão total na web, temos a chance de transformar ainda mais toda uma indústria.
Entre os dias 24 e 27 de março deste ano aconteceu o Metaverse Fashion Week, uma semana de moda realizada virtualmente a partir de avatares e um ambiente interativo para mais de 108 mil pessoas. A Decentraland foi a plataforma utilizada pelos usuários para participar do evento.
Embora tenha gerado bastante engajamento e se tornado um evento pioneiro nesse campo, é inegável, entretanto, que este é apenas um dos primeiros passos rumo à realidade mais híbrida, que brinca com os limites entre o virtual e o físico. Quem gosta de videogames certamente vai olhar para a estrutura visual do evento e relembrar os saudosos tempos em que o PlayStation 1 era a maior novidade no mundo dos jogos.
Ao que parece, todas as soluções apresentadas em larga escala até agora têm uma semelhança gráfica ao desempenho do antigo console. Mesmo com essa estrutura que pode até ser vista de forma jocosa dado o avanço visual dos computadores atuais, a chance de interagir de forma mais interdimensional com a Internet é, de fato, um grande atrativo para a indústria não apenas da moda, como de qualquer outro tipo de serviço.
Quando pensamos no mundo dos influenciadores digitais e sua relação direta com tendências em vestimentas, cosméticos e comportamento, é inegável o poder que ações “meta virtuais” poderão aproveitar dessas figuras de forma bastante assertiva. Temos exemplos mundo afora que podem clarear a visão dos mais céticos.
É o caso da Lil Miquela. Ela é uma personagem ao estilo “Lu da Magalu”, entre os 19 e 20 anos, que “vive” em Los Angeles. A influencer fictícia tem mais de 3 milhões de seguidores no Instagram e fala sobre moda, lifestyle e pautas políticas, como direitos para a comunidade LGBTQIA+. Com selfies e fotos ultrarrealistas, seu visual choca até mesmo os próprios seguidores, que questionam sobre a existência da personagem.
Seja com pessoas de verdade ou com avatares criados - e até mesmo com a inteligência artificial -, muitas são as novidades ainda por vir quando se trata de moda e web. O Metaverso abre um leque de possibilidades para que pessoas, do conforto de suas casas, possam interagir com lojas, criadores de conteúdo, redes sociais e jogos de formas nunca pensadas.
Com a quantidade de pessoas participando desse Fashion Week virtual, dá para perceber como o interesse do público em uma indústria mais digital é grande. Ainda que tenhamos receios até mesmo emocionais e psicológicos em relação ao quão fiel à realidade física esses novos ambientes serão - e o quão utópicos eles poderão ser no sentido de fugir do mundo atual, do formato do seu corpo, aparência, cor da pele e etc. - o saldo tende a ser mais positivo que negativo.
É certo, de qualquer forma, que há um grande potencial de inovação para quem pensa e faz a moda acontecer de criar novas maneiras de consumo e de imersão nesse mundo. Seja participando de eventos que ditarão tendências, seguindo influenciadores nos novos ambientes ou comprando roupas para os avatares, as possibilidades são quase infinitas. Contudo, só o futuro dirá como elas serão aproveitadas e se elas serão frutíferas ou não.








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