Crônica: Missão Vestido Ideal
- Júlia Siqueira

- 30 de mai. de 2022
- 2 min de leitura

Existem muitos momentos da vida que são esperados. O primeiro beijo, a formatura da faculdade, a carteira de motorista… mas, entre as mil exigências da vida adulta eu estou no processo de concluir a mais perguntada pelas tias no almoço do domingo: meu casamento.
Diferente das mulheres da minha família, eu nunca tinha sonhado ou ao menos desejado viver um casamento, mas essa é mais uma da série de coisas que a vida é capaz de nos surpreender. No entanto, sempre me imaginei em um belo vestido branco, com direito a véu, grinalda, e aos nomes das amigas solteiras na barra.
A missão parecia simples, mas já era a quarta loja que eu entrava com a minha trupe: mãe, avó, sogra, cunhada e minhas duas amigas madrinhas favoritas. Era tudo sempre igual, uma moça nos recepcionou e nos serviu um café aguado em uma mini xícara. Nos sentamos, mostro referências de fotos em meu celular e ela entra em um submundo da moda das noivas em um corredor repleto de vestidos. Entre uma prova e outra, um aperto no espartilho e a ação repetitiva de abotoar das sandálias, nada parecia encaixar. Saí mais uma vez de mãos vazias.
Chegando em casa minha avó quis me mostrar o que guardava em uma caixa desgastada com o tempo que ficava no fundo do armário embaixo dos discos de vinil do meu falecido avô Beto. A embalagem de estampa liberty e de fita rosa bem clarinho ainda tinha o cheiro do perfume dela. Com o olho já se enchendo de lágrimas ela abre a tampa redonda e tira uma foto do seu casamento, era possível ver a data 1972 e uma dedicatória. Por baixo está seu vestido em um tom champagne único. Clássico e leve, ele veste como uma luva.
Achei meu vestido ideal.








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