Balenciaga reflete uma realidade agonizante em desfile
- Lucy Matos

- 9 de mar. de 2022
- 2 min de leitura
Coleção prêt-à-porter de outono/inverno da marca é apresentada em cenário quase apocalíptico

Ao chegar no desfile da Balenciaga na Semana de Moda de Paris, os convidados foram recebidos com camisetas azuis e amarelas, cores da bandeira da Ucrânia. “A guerra na Ucrânia desencadeou a dor de um trauma que carrego em mim desde 1993, quando a mesma coisa aconteceu em meu país de origem (a Geórgia) e me tornei um refugiado para sempre. Para sempre, porque isso é algo que fica em você. O medo, o desespero, a percepção de que ninguém quer você”, escreveu o estilista Demna Gvasalia em carta entregue à todos antes do início do evento. As palavras do diretor criativo da maison deixava claro o que seria o desfile: uma sensível homenagem ao povo ucraniano.
Por essas mesmas lembranças citadas na carta, Demna revelou ter considerado cancelar o show. O calendário de moda na Europa coincidiu com o início da invasão e ataques russos à Ucrânia e, a Balenciaga, uma das primeiras marcas a se posicionar e apoia com doações os refugiados, decidiu seguir em frente com o desfile que o estilista definiu como "uma dedicação ao destemor e à resistência".
A coleção apresentada dentro de uma grande redoma de vidro, alerta para a crise climática com uma tempestade de vento e neve muito realista. O casting atravessou a passarela, com saltos agulha e botas de cano alto, lutando contra o clima encenado, alguns carregando bolsas pesadas, que mais pareciam sacos plásticos, similares à usada em acampamento ou mesmo por refugiados.
Com uma paleta sóbria composta principalmente por preto e branco, os looks da coleção foram um híbrido de cortes assimétricos, silhuetas marcadas, tecidos leves e fluidos e moletons oversized.
Os dois grandes momentos do desfiles foram sem dúvidas o look amarelo todo feito por fita creme, semelhantes as faixas de seguranças e de não ultrapasse utilizadas para isolamento de uma área, o mesmo look usado por Kim Kardashian, na primeira fila.
E por fim, os looks que fecharam a coleção, um conjunto amarelo e um vestido azul esvoaçante, que juntos formavam a bandeira da Ucrânia. Assim, Demna encontrou um caminho para dar sentido à moda no momento e entregou um grandioso e político show.
























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